A Popularidade de Musk Versus a Controvérsia de Alexandre de Moraes: Uma Guerra Narrativa nas Redes Sociais

Nos últimos dias, o cenário digital brasileiro tem sido palco de uma intensa batalha de narrativas envolvendo duas figuras proeminentes: Elon Musk, o visionário CEO da Tesla e proprietário da rede social X (anteriormente conhecida como Twitter), e Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil. A discussão central gira em torno da liberdade de expressão na internet e até que ponto as leis nacionais podem ou devem influenciar o que é publicado em plataformas globais.

A popularidade de Musk no Brasil, conforme indicam estudo feito por Lilian Carvalho, coordenadora do Centro de Estudos em Marketing Digital da FGV/EAESP, é notável. Nos últimos 7 dias, Elon Musk vence essa guerra com mais de 97 mil menções, sendo o pico de menções no dia 21 de abril. Surpreendentemente, 45% dessas menções são positivas, o que reflete uma aprovação significativa de sua figura e possivelmente de sua gestão à frente da X. Por outro lado, Alexandre de Moraes recebeu mais de 30 mil menções no mesmo período, com um pico no dia 20 de abril, e uma predominância de menções negativas, alcançando 59%. Essa polarização de opiniões revela muito sobre o atual estado do debate público brasileiro, especialmente em questões de liberdade de expressão e regulamentação da internet.

Um dos pontos críticos dessa discussão é a atuação de Elon Musk como proprietário da X, permitindo que contas anteriormente banidas no Brasil, como a de Allan dos Santos, continuem a postar na rede social livremente. Este fato é visto por muitos como um desafio direto às leis brasileiras, uma vez que o conteúdo dessas contas é acessível a usuários de outros países ou a brasileiros que utilizem VPN. Do outro lado da moeda, os críticos de Alexandre de Moraes veem suas ações como autoritárias e excedendo a sua jurisdição, já que Allan dos Santos e Monark, outro alvo de Moraes,  não residem mais no Brasil e seus posts são feitos de outro país e não acessíveis aos brasileiros que não se utilizam de ferramentas para, deliberadamente, acessarem estes conteúdos.

A questão de gênero também se faz presente nesse debate, com a maioria das contas que engajam ou mencionam ambos os termos sendo masculinas, cerca de 67%. Isso pode indicar um desinteresse das mulheres pelo tema ou simplesmente refletir um desequilíbrio de gênero mais amplo nas discussões políticas online.

A popularidade e os sentimentos atrelados a Elon Musk parecem indicar que, no momento, ele está "vencendo" essa guerra narrativa.Em contrapartida, a aplicação estrita das leis nacionais em um contexto global também apresenta desafios, podendo limitar o fluxo livre de informações e ideias.

 

Conteúdo originalmente publicado em Revista Oeste

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